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Volmir Cordeiro
Céu
Imagem Preset XL
01 Junho
18:30
Artes Performativas
Arboreto

Coreografia e Interpretação : Volmir Cordeiro

Duração : 30’

Com o apoio do Mestrado Essais do Centre National de Danse Contemporaine d'Angers, dirigida por Emmanuelle Huynh

Solo criado em 2012

“Céu” foi o primeiro solo que o coreógrafo e intérprete Volmir Cordeiro assinou como autor e onde procura experimentar a personificação de outras vidas condenadas ao desaparecimento, à exclusão e à marginalidade. Através de um processo de intensificação da memória de corpos de mendigos, camponeses, prostitutas e imigrantes, Volmir dança a energia e o vigor desses seres anónimos, presenças isentas do desejo de possuir um nome ou conquistar uma autoridade social. O coreógrafo brasileiro tenta, neste espectáculo, uma aproximação corporal, simbólica e imaginária com uma parcela da humanidade, composta por aparências inquietantes, corpos miseráveis, vergonhosos, embaraçantes e renegados pela história. Sobre esta peça, Volmir Cordeira refere: O céu é um espaço infinito que abarca tudo. O céu garante o andamento das coisas. O céu deixa vir. Escolhi chamar este solo Céu porque o céu não privilegia ninguém, nenhum momento, nenhum ser. Do céu, eu retirei a abertura como principal virtude, e fiz dela a morada desta dança. A morada como lugar mas também como direção e endereço. Danço tentando tocar o fora; estou virado para fora, eu e a minha dança. Assim estranho-me, estou tanto aqui, em cena, como ali, no meio do mundo do público. Estou, ainda, na fronteira que divide esses dois espaços de imaginação. Mover-me? insistentemente na direção do fora deformou o meu corpo, tornou-o nervoso, desastroso, saturado. Habitado, danço pensando que serei no fim desta dança um corpo a mais, um corpo qualquer. Antes de começar, um pedido: deixa-me olhar-te espectador, deixa-me contar-te que um dia eu tive todas as ideias.

Volmir Cordeiro (Brasil, 1987) é doutor em dança pela Universidade Paris 8 (France) com a tese Où le marginal danse: retours sur six pièces chorégraphiques .Licenciou-se em teatro e em 2012, terminou o mestrado Essais, no Centro Coreográfico de Angers, com a peça Céu, um solo que apresentamos e que circulou extensivamente por festivais de dança europeus e brasileiros. Foi performer de projetos de Xavier Le Roy, Laurent Pichaud, Rémy Héritier, Emmanuelle Huynh, Jocelyn Cottencin e Vera Mantero. Em 2014, criou o solo de Inês, e, em 2015, o dueto Epoque with the Paris, com a bailarina chinela Marcela Santander Corvalán. Acabou de encerrar o seu primeiro ciclo de trabalho, constituído por três solos: Céu, Inês e Rue (criado em outubro de 2015, no Musée du Louvre, em colaboração com FIAC). Volmir Cordeiro foi o artista associado da Ménagerie de Verre em 2015 e desde 2017 é artista associado do Centre National de la Danse (CND - Pantin).